
Prime Day vs 07.07: como a pré-Black Friday movimentou o e-commerce brasileiro
Comércio eletrônico
Ecommerce aquece o mês inteiro; Farmácia concentra em uma semana. A pergunta de 2026 não é quando você ativa — é se o seu setor já ativou sem você.
A Black Friday parou de acontecer em apenas um dia. Em 2025, ela já era um mês inteiro para uns e uma semana intensa para outros. Dados da Similarweb mostram que o tráfego do setor de Ecommerce & Shopping, por exemplo, começou a subir ainda no início de novembro e só voltou ao normal em meados de dezembro — um comportamento que o mercado já vem chamando de “Black November”. Já o setor de Farmácia, por outro lado, viveu uma “Black Week”: um salto concentrado na semana da data, seguido de normalização rápida.
A comparação entre os dois setores não é aleatória: Ecommerce & Shopping é o motor tradicional de ticket alto da Black Friday, enquanto Farmácia, mesmo fora do imaginário promocional, tornou-se um dos segmentos que mais crescem na data. E, com as buscas por “Black Friday” já acelerando desde o fim de julho, os dados de 2025 se tornam o material mais concreto disponível hoje para quem está desenhando a estratégia de 2026.
A indústria de Ecommerce & Shopping cresceu em praticamente todas as frentes em relação ao ano anterior. O tráfego avançou 6,3%, enquanto as visitas engajadas — aquelas em que o usuário não sai do site imediatamente, sem interação (unbounced visits) — subiram 12,2%, sinal de um público mais interessado, não apenas mais numeroso. A duração média das visitas caiu 6%, o que aponta para jornadas mais rápidas e objetivas, típicas de quem já sabe o que quer comprar.
Um dado chama atenção: o crescimento de usuários superou o de visitas, o que indica entrada de consumidores novos, não apenas mais atividade da base já existente. Nos aplicativos, o movimento também foi positivo: os downloads passaram de 33.,58 milhões para 35.54 milhões (+5,8%), e a média mensal de usuários ativos cresceu de 9.72 milhões para 10.11 milhões (+4,1%).
O setor de Farmácia requer uma leitura diferente de 2024 para 2025. O tráfego geral recuou 2,2%, mas a qualidade da navegação melhorou: mais páginas por visita e queda na taxa de rejeição, sinais de consumidores explorando mais o catálogo antes de decidir. Nos aplicativos, porém, o crescimento foi expressivo: os downloads subiram 15.1% (de 1,75 milhão para 2 milhões) e os usuários ativos mensais avançaram 3,0%, reforçando que a estratégia mobile-first do setor ganhou força justamente no mês da Black Friday.

Similarweb. Dados: Site (desktop e mobile web), Apps (Android e iOS) , novembro 2024 vs novembro 2025, Brasil.
Olhando o volume de visitas entre outubro e dezembro de 2025, o padrão de cada setor fica evidente: a data deixou de se concentrar em um único dia.
Em Ecommerce & Shopping, a Black Friday se consolidou como um movimento de “Black November”: o tráfego já cresce no início do mês e permanece acima do patamar de referência até meados de dezembro. O primeiro pico do período, inclusive, não foi na Black Friday — foi no 11.11, uma das chamadas “datas duplas”, que já é madura o suficiente para esquentar o setor semanas antes do pico oficial, registrado em 28 de novembro.
Em Farmácia, a antecipação existiu, mas foi mais moderada e concentrada: o maior salto de tráfego aconteceu na própria semana da Black Friday, com normalização rápida já em dezembro — um comportamento mais pontual e promocional.


Similarweb. Dados: Site (desktop e mobile web), out.25-dez.25, Brasil.
Em Ecommerce & Shopping, os 15 maiores players somaram 1.18 bilhão de visitas, um crescimento de 10% sobre 2024, representando 85% do share do setor — ou seja, a disputa continua concentrada em poucas marcas. Amazon, Shopee, Temu e Mercado Livre ficaram com os maiores ganhos de tráfego entre os players de escala: a Amazon liderou o ganho de participação, enquanto a Temu se destacou pelo crescimento acelerado de visitas.
Em Farmácia, o ranking também teve movimento de liderança: a Drogasil ganhou participação, saindo da 2ª posição e assumindo o topo, enquanto Araújo e Drogal cresceram de forma acelerada, com avanço simultâneo de visitas e visitantes únicos — sinal de que a disputa no setor está longe de estar decidida.
Nos aplicativos de shopping, a liderança em aquisição variou por sistema operacional: a Shopee liderou os downloads no Android, enquanto a Amazon liderou no iOS. O Mercado Livre teve a presença mais consistente, ocupando o Top 3 nas duas plataformas — sinal de uma base de usuários mais distribuída entre sistemas. Na sequência, a SHEIN ocupou o 2º lugar no Android, enquanto o AliExpress ficou em 2º lugar no iOS.
Quando o recorte é usuários ativos diários, a hierarquia muda um pouco: aquisição e uso não seguem exatamente o mesmo ranking. Shopee e Mercado Livre se destacaram como os aplicativos que mais ganharam usuários ativos no mês da Black Friday em relação ao mês anterior, aparecendo no Top 3 nas duas plataformas – com a Shopee em 1º lugar no Android e 3º no iOS, enquanto o Mercado Livre ocupou a 2ª posição em ambas. No Android, a SHEIN ficou em 2º lugar, enquanto a Amazon liderou no iOS.
Os sinais para o próximo ciclo já apareceram no início do semestre. Dados mais recentes mostram que o interesse por “Black Friday” começou a acelerar já no fim de julho e no início de agosto — um comportamento que reforça a necessidade de antecipar SEO, produção de conteúdo e construção de audiência bem antes de novembro.
Três aprendizados resumem o que os dados de 2025 ensinam sobre a Black Friday que se aproxima:
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Pesquisa e Conteúdo por:
Letícia Martins, Insights Specialist – LATAM

por Letícia Martins
Insights Specialist LATAM
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